sinopse

De manhã, bem cedo, o senhor H cava um buraco na terra e deixa cair uma pequena semente, cheio de esperança. Sob o olhar curioso de um pássaro, o tempo avança... mas nada acontece. Ou talvez a semente, oculta e discreta, germina ao seu próprio ritmo.
O senhor H rega-a, sussurra-lhe palavras doces e volta todos os dias para ver como está a crescer.
Mas a espera prolonga-se:
— Ainda nada? — pergunta, impaciente. Até que, um dia...
Nesta história em que a semente é protagonista, somos convidados a escutar o ritmo da natureza (o tempo da germinação e crescimento) e a refletir sobre a nossa relação com a espera, num mundo que exige respostas rápidas e resultados imediatos, esquecendo, tantas vezes, que o que cresce precisa de cuidado, silêncio e tempo.
o quê?
Com um humor delicado e uma mensagem profunda, “ainda nada?” convida a refletir sobre a importância de respeitarmos os ritmos naturais da vida. A espera não é vazia: é um espaço de transformação. Um tempo invisível onde a semente cresce e se fortalece — até que, inesperadamente, surpreende-nos e revela a sua beleza.
porquê?
Este projeto nasce do desejo de criar uma ligação entre a metáfora presente na dramaturgia e a nossa sociedade.
Vivemos num paradoxo: entre o tempo da natureza, o tempo humano e o tempo acelerado da sociedade contemporânea — moldado pela industrialização, pela urgência e pela necessidade constante de mais, em menos tempo.
Hoje, tomados pelas tarefas sem fim, cedemos às nossas verdadeiras prioridades, somos antes “seres velocidade”.
Neste paradoxo, à velocidade da luz, permanecemos estáticos. A distância transfigura-se. A velocidade não nos permite ver a paisagem — distorce-a. Vemos, mas não observamos. A aceleração distrai-nos.
Esta proposta procura abrir espaço, criar distância, dar tempo, oferecer a possibilidade de saborear o mundo — um pequeno mundo que desafia as fronteiras do possível.
Convida-nos a desacelerar, a estar presentes, onde a efemeridade do tempo e do espaço ganham densidade e significado.
No encontro entre ator e público, constrói-se um espaço de partilha e comunicação — um espaço de possibilidades.
A arte não quer trazer respostas definitivas, nem verdades absolutas. Propõe, apenas, plantar perguntas, convocar emoções. E talvez, nesse gesto, devolva o tempo que julgávamos perdido.
ficha artística
- DIREÇÃO ARTÍSTICA | Márcia Leite
- DRAMATURGIA e ENCENAÇÃO | Márcia Leite e Sandra Santos
- DRAMATURGIA inspirada na obra homónima de Christian Voltz (1997), traduzida por Alexandre Honrado (2007), o conto “O Relógio de Sol”, de Carlos Drummond de Andrade, e outras tantas histórias de que é feita a nossa história.
- INTERPRETAÇÃO | Márcia Leite
- CENOGRAFIA e MARIONETAS | José Luís Loureiro
- FIGURINOS e construção ‘lagarta>borboleta’ | Adriana Ventura
- COMPOSIÇÃO MUSICAL | Ricardo Augusto
- DESENHO DE LUZ | César Cardoso
- FOTOGRAFIA DE CENA | Raquel Balsa
- VÍDEO PROMOCIONAL | Zito Marques
- DESIGN GRÁFICO | Raquel Balsa
- COMUNICAÇÃO | Joana Miranda
- PRODUÇÃO | Márcia Leite
- APOIO À PRODUÇÃO | Carmelina Leite
- COPRODUÇÃO | Teatro Municipal de Ourém; Teatro Aveirense
- APOIOS | Município de Viseu; Trigo Limpo teatro ACERT; oficina do Zé ferreiro
- AGRADECIMENTOS | Gabriel Silva, Teresa Eça, Bibliotecas do Agrupamento de Escolas Grão Vasco (Helena Marques, Conceição Fonseca), Escola Básica da Ribeira, Escola Básica João de Barros, Plano Nacional das Artes (Paula Soares, Graça Soveral), Escola Secundária de Viriato, Escola Básica Infante D. Henrique.
galeria de imagens
espaço não convencional
ensaios
apoios